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Problema evitável

Quanto menos problemas, melhor
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Reprodução: ZH

Parece difícil de acreditar, mas o governo Bolsonaro teve sua grande primeira vitória semana passada. Com a aprovação da MP 871 que combate fraudes no INSS, o governo mostra um teaser do que pode ser o governo Bolsonaro, finalmente, se dedicando a articular politicamente, além de dar o primeiro passo em direção à Nova Previdência – já que o projeto visa reduzir o número de aposentadorias forjadas e assim diminuir o custo do sistema previdenciário. Mas mesmo assim não parece uma vitória. Mesmo com a votação tendo ocorrido numa segunda-feira – um dia incomum de trabalho para os senadores – e sem maiores problemas, ela joga luz em um problema já recorrente: A dificuldade com comunicação.

Já estamos no sexto mês desse governo. Qualquer um que cobra melhoras radicais imediatas ou que culpa o time de Bolsonaro pela situação na qual estamos é passível de internação compulsória – algo que alas do governo estão trabalhando para que seja mais fácil de fazer. O governo recebeu uma herança maldita dos governos do Partido dos Trabalhadores, a expansão da insegurança nas instituições e a destruição quase irreparável na economia criaram um caos que é sentido diariamente. Existe claramente uma perseguição da maior parte da imprensa – e tem acontecido desde o começo da longa campanha de Bolsonaro – devido à maioria esquerdista, e declaradamente contrária ao presidente, atuando nos meios de comunicação. Mesmo assim, isso não isenta o governo na sua inabilidade de se expressar de maneira clara e direta, não criando espaços para interpretações maldosas, confusões técnicas e, principalmente, vexames risíveis. Veja, se eles ainda tem dificuldade em explicar que a crise econômica não é responsabilidade deles, imagina explicar o porquê de ser positivo isentar de multa quem leva crianças no carro sem uma cadeirinha, ou explicar como a criação de uma moeda conjunta com a Argentina é algo que pode nos ajudar a sair do buraco.

Não posso afirmar, porém, que essa área não está indo para uma direção “menos pior”. Depois do caso de Olavo de Carvalho atacar o general Villas Bôas, zombando de sua doença, o guru do governo tem usado menos seu twitter para criar cisões desnecessárias entre a parte ideológica do governo e a ala militar. Também creio que parte da razão vem das manifestações de domingo. Qualquer um ligado ao governo que observou as manifestações conseguiu notar que quem estava lá não estava por Bolsonaro. Estavam por ideias específicas que o governo está empurrando, não por serem propostas pelo governo, e sim porque são necessárias e positivas. Isso gerou uma acalmada de ânimos na parte mais atacada do governo, que agora se vê na necessidade de, ou se ceder ao povo, ou manter-se em silêncio. Para provar meu ponto, percebam como o comportamento de Carlos Bolsonaro mudou nas redes sociais. Provocando cada vez menos aqueles que ele julga necessitados de provocações. Como disse Mourão, ” Alguém chegou pra essa turma e disse chega”.

Felizmente o panorama parece estar mudando. Se a comunicação do governo melhorar, será um passo enorme em direção a um período de prosperidade no Brasil. Ninguém se sente seguro de se relacionar e investir em um país que não consegue expor e executar de maneira clara e direta suas ideias. Mesmo que essas sejam positivas como vem sido. O grande avanço na infraestrutura, Nova Previdência, pacote anticrime, quase tudo é até agora é um avanço. Mas se Bolsonaro não estiver disposto a explicar, pessoas que estão o farão de maneira errada.

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