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Por que estudar Política?

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É bastante interessante o fato de que todo aluno brasileiro ao ingressar no Ensino Médio, em seu curso de introdução à Filosofia – que no Brasil deve ser entendido como curso de preparação ao Marxismo – ouve as palavras “o homem é um animal político”, escritas por Aristóteles em A Política. A piada começa quando o professor de filosofia emprega o conceito moderno de política e usa as palavras do filósofo grego – cuja visão acerca da política é totalmente diferente – para justificar a adesão do jovem a movimentos sociais. Nesse ponto saliento que os professores o fazem não por vontade própria, mas porque é de vontade do Governo que a educação brasileira tangencie o processo de construção de cidadania, o que não é por si só incorreto, porém promove esta brecha capaz de transformar as escolas brasileiras em centros de formação de gado político.

 

Posto isso em foco, surge a necessidade de então diferenciar os dois: a política sob o prisma da filosofia aristotélica; a política de fato. Comecemos por Aristóteles.

 

Em sua jornada de estudos, o filósofo grego percebeu que todas as coisas no universo, das mais simples às mais complexas, possuem um sentido, uma causa, uma finalidade. A rosa nasce, cresce, floresce e morre. O ar garante que antes que a rosa morra, suas sementes serão levadas a outra rosa que por sua vez daria luz a uma nova rosa. Ao aplicar essa lógica ao homem, Aristóteles alcança uma das questões elementais: qual o nosso propósito? A resposta per se não foi dada, mas a conclusão em que se chegou tem nome: eudaimonia. Para Aristóteles, o homem deveria buscar ser o melhor de si, e para alcançar esse objetivo ele teria de se relacionar com os outros. Deste modo, é essa relação de busca conjunta do “ser melhor” que se interpreta como política. É evidente que os teóricos políticos modernos, como Locke e Rousseau, utilizam Aristóteles como base para seus modelos, mas considerá-los semelhantes é errado, e é nesse aspecto em que falha o professor, seja este mal-intencionado ou simplesmente incapaz de apontar ele mesmo esta diferença.

Tirando essa pedra de nosso sapato, chegamos à pergunta fundamental de todo este raciocínio: afinal, o que é a política de fato?

Nas palavras do Cel. Enio Fontenelle,especialista em política e geopolítica desde a década de 90, “política é o conjunto de decisões tomadas por nossos governantes que ao longo do tempo determinarão nossa história”. Nesse sentido, entender de política é ser capaz de compreender o rumo que nossos futuros estão tomando, e possuir responsabilidade política é ser capaz de entender que nossas decisões erradas põem em curso um futuro duvidoso e enevoado. Ainda nesse sentido, qualquer um que após ler este texto se puser a refletir por cinco minutos vai perceber que o brasileiro, e já faz alguns bons anos, não entende de política e é irresponsável. 

 

Olhando por esse lado, a frase de Aristóteles até faz sentido, “o brasileiro é um animal político”: irracional, manipulável e focado apenas na sobrevivência do dia-a-dia. Será que eu ainda preciso responder o por quê de se estudar política?

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