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Opinião sobre a campanha: ”Adolescência primeiro, gravidez depois”

Em resposta aos críticos, o ministro Luiz Mandetta, afirmou ''em nenhum momento foi falado sobre proibição. O que foi dito é: há tempo para tudo, adolescência não combina com gravidez”
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Foto: Willian Meira/MMFDH

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) e o Ministério da Saúde (MS) lançaram nesta segunda-feira (03) a campanha “Adolescência primeiro, gravidez depois – tudo tem o seu tempo”.

Segundo a nota oficial dos ministérios, a proposta tem como objetivo ”reduzir os altos índices de gravidez na adolescência que, no Brasil, estão 50% acima da média mundial. A cada mil meninas, 46 se tornam mães adolescentes. Na América Latina, o índice é de 65,5. Já no Brasil, o número sobe para 68,4. Atualmente, mais de 434,5 mil adolescentes se tornam mães por ano no país.”

Em tweet. a ministra Damares, respondeu algumas críticas, afirmando que ”o uso de preservativos vai continuar sendo estimulados. Isso não vai mudar.”

Polêmicas

A campanha antes de ser oficialmente lançada já estava sobre ataques de várias formas e de vários lugares. Uma matéria que viralizou e foi repercutida na grande mídia por vários sites, foi a da Revista Veja, que afirmou:

”A Defensoria Pública da União (DPU) oficializou recomendação ao Ministério da Saúde nesta sexta-feira (31) para que não seja lançada a campanha…”

Porém, não foi bem assim, como esclareceu a própria (DPU) em nota:

”A recomendação referente à campanha de prevenção à gravidez na adolescência divulgada na imprensa na última sexta-feira (31) é assinada conjuntamente por defensores públicos estaduais de São Paulo e por dois defensores públicos federais com atuação em Ofícios Regionais de Direitos Humanos da mencionada unidade da federação.

Tal recomendação não representa necessariamente a leitura institucional sobre o tema, seja porque a carreira contempla membros com posicionamentos diversos acerca dessa específica política pública, seja porque o Defensor Público-Geral Federal não exarou posicionamento público institucional a respeito da questão (artigo 8, II, da LC 80/94).”

Resumindo: alguns membros da Defensoria Pública se posicionaram contrários, mas o DPU em si, não se posicionou em relação ao tema.

Defesa

Para o ginecologista Raphael Câmara Medeiros Parente, que é conselheiro do Conselho Federal de Medicina, a política de educação sexual de abstinência pode se juntar às outras já existentes. O médico afirmou:

“Assim como há vários métodos contraceptivos, há diversas formas de educação sexual que podem ser complementares, cada uma pode ser mais adequada a um determinado público.”

Conclusão

Diferente do que foi afirmado por algumas pessoas, a campanha não vai proibir ninguém de manter relações sexuais, mas, vai incentivar os adolescentes brasileiros a retardarem sua iniciação ao sexo.

A campanha cita a evasão escolar como um dos pontos principais, e afirma que durante uma gravidez entre 11 e 16 anos, cerca de 75% das mães se afastam da escola, o que causa uma reação em cadeia na vida dessas jovens.

Em tese, a campanha faz parte de um pacote de “medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência”.

Como faz parte de um conjunto de ações, a campanha é bem-vinda, pois, a diminuição da gravidez na adolescência, somada com uma educação sexual de qualidade e incentivo aos métodos contraceptivos trará uma série de consequências positivas para o país.

 

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