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OPINIÃO – Passar o Pano e o Benefício da Dúvida

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De todos os estragos que a esquerda provocou ao estar no poder nada é pior do que a destruição da inteligência. Concordando com a ciência comportamental, ao modificar o ambiente psicológico do país o dano no juízo dos cidadãos foi o pior crime dos poderosos de outrora.

A mais recente demonstração disso é o que andam chamando de “passar o pano”, a expressão aparenta significar o seguinte: a limpeza subserviente da sujeira de alguém, isso é, alguém faz besteira e o sujeito ferozmente ignora os crimes, limpando a criatura de todos os pecados.

Pois bem, muito justo, não se pode defender um pecador. Mas espere, quem foi que condenou o condenado? Ou melhor, ele já foi condenado? ele já foi sequer acusado, de quê? Todo o processo que seria justo a alguém, antes de tirar conclusões precipitadas, está sendo ignorado para que sejam tiradas conclusões precipitadas.

Mas qual é a culpa da esquerda nisso? Acostumamo-nos a inferir nesses últimos anos que todos eram ladrões, era tanta roubalheira, era tanta desonestidade, que parecia óbvio culpar todo mundo e considerá-los corruptos antes mesmo de uma condenação. O ambiente, portanto, condicionou nosso comportamento. Como diria o ditado: quem só sabe usar martelo todo problema é prego.

Desaprendemos um dos maiores princípios da cultura ocidental: a presunção de inocência ou o benefício da dúvida. Pior que isso: por razão dessa ânsia acusatória perdemos nossa capacidade de captar detalhes, de perceber as narrativas e suas sutilezas, resumindo em apenas uma palavra: distinguir.

Aristóteles há 2500 anos já fazia isso de maneira muito simples, aponte alguma coisa e classifique: é mineral, vegetal ou animal? Claro que nem tudo se resume a essas categorias, mas o ensinamento é importante, o que você está vendo se encaixa onde, como e de que maneira?

Sem ter a capacidade de distinguir os outros processos cognitivos mais complexos se tornam impossíveis, quando tudo se torna a mesma coisa é bem mais fácil bater tacape no chão e vociferar: passou o pano, hein!

Sendo assim desnuda-se mais um sinal desses novos tempos: um dos exercícios mais elevados da consciência virou um trapo velho e a burrice é alardeada como um nobre e belo véu.

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