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Ódio do bem e a sinalização de virtude

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O ser humano faz de tudo para se sentir bem consigo mesmo. Buscamos sempre a nossa aprovação, seja ela sobre aspecto físico, intelectual ou moral. Porém, a aprovação do grupo é a mais impactante e cobiçada. Gostamos de sentir que somos parte de algo maior, e, muitas vezes, fazemos coisas para nos mantermos em coletivos que jamais faríamos sozinhos. Alteramos a maneira que nos vestimos, aprendemos e usamos novas gírias, nos comportamos de maneira idiossincrática e modificamos nossas próprias opiniões em nome da mentalidade coletiva. Quando aderimos a um pacote de pensamento, desistimos de toda a nossa autonomia intelectual e nos tornamos seguidores cegos daqueles que enxergam o mundo de maneira torta.

Mesmo que esse tipo de comportamento possa ser visto em, literalmente, todos os aspectos políticos, um em especifico me deixa indignado: Progressistas que se exaltam como paladinos das minorias e dos oprimidos, mas somente os usam como plataforma para se vangloriarem perante a sociedade e seus amigos, que tem o mesmo tipo de comportamento, e perpetuam um ciclo masturbatório de tapinhas nas costas e lacrações nas redes sociais.
Mesmo essas pessoas se considerando os grandes combatentes do preconceito e da segregação, são, sem dúvida, um dos grupos que mais destila ódio na sociedade. Após rachar mais ainda a sociedade em cor, gênero e sexualidade, os “justiceiros sociais” criaram uma categoria nova de discriminação: o preconceito positivo, ou “ódio do bem”. Esse termo tem sido popularizado após uma grande parcela da população perceber que esses lacradores, muitas vezes, comentam e falam sobre como homens são todos estupradores, que não existe branco que não é racista, ou que todos os héteros sexuais se divertem saindo nas ruas e caçando gays. Eles, por conta de sua ideologia e pensamento de manada, colocam certas categorias de pessoas em caixas, limitando-as em suas cabeças a aquilo que elas superficialmente concluíram.

Mas pera ai! Pensar dessa maneira não é pensar de uma maneira preconceituosa? Sim, é óbvio.
Porém, devido ao apoio do seu grupo ideológico, as pessoas que pensam assim não percebem, ou simplesmente ignoram, o fato de serem aquilo que elas dizem combater. Nessa última semana, 3 casos explicitaram isso de maneira muito clara. Primeiro, e o mais grave, o ex-candidato à presidência da República Ciro Gomes repetiu a ofensa que já dirigiu ao vereador de direita Fernando Holiday de ” capitão do mato”, além de adicionar o termo “nazista” no final. Outro caso, foi a mensagem do auto-exilado, ex-deputado Jean Willys, que atacou pelo twitter o juiz Marcelo Bretas, após o mesmo postar uma foto na academia. Jean o acusa de ser um homossexual recalcado e por isso possui traços narcisistas. E se ele for? Teria problema?

E por último, um caso relacionado à sinalização de virtude, a maneira como as jogadoras da seleção são tratadas e a hipocrisia daqueles que cobram que as pessoas apoiem e torçam pelo futebol feminino mas não vão para estádios, não seguem seu time do coração (se é que tem um) e nem se dão o trabalho de assistir os jogos pela TV. Além de tratarem as atletas como retardas, chamando-as de “guerreiras”, “heroínas” ou termos parecidos enquanto gritam as piores ofensas contra jogadores homens, elas só divulgam os jogos, não para chamar mais atenção para o esporte, e sim para chamar atenção para elas mesmas, achando-se superior porque “assiste” jogos com atletas mulheres.
Essas 3 ocorrências mostram os dois pesos e duas medidas nas quais a turma da lacração julga os preconceituosos. Se alguém mais à direita, branco, dissesse o que Ciro Gomes falou para um vereador negro de esquerda, nunca mais conseguiria perder a fama de racista. Assim como Jean, homossexual assumido, por ser do PSOL é blindado, mesmo que ele faça algo que seja negativo contra o grupo que ele pertence. A patota o defenderá mesmo quando admitem que existem mulheres machistas ou negros racistas. O discurso nunca é coerente.

Séria completamente ignorante da minha parte não reconhecer que esses grupos, além de vários outros, são vítimas de preconceito. Porém, meu ponto é que não se combate a discriminação com mais discriminação. Não devemos combater homens ou mulheres, devemos combater machistas e misândricas. Não devemos combater homossexuais ou heteros, devemos combater aqueles que não aceitam a sexualidade do outro. Não podemos combater negros ou brancos, devemos combater racistas. Juntos.

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