E-Consulters Web - Hospedagem Premium

Obrigado, Sir Roger Scruton!

Filósofo e autor britânico morreu no último domingo, (12), em decorrência de sua luta contra o câncer. Scruton deixa esposa e dois filhos.
0

O debate político sentirá muito com ausência de Roger Scruton (1944/2020) uma das renomadas vozes do conservadorismo. Alcançou com méritos o reconhecimento de seus opositores. Em sua obra “Como ser Conservador”, Editora Record, Scruton escreveu a dificuldade de trabalhar em setores “dominado” pela esquerda sendo conservador. Acadêmicos destilavam seus preconceitos exclusivamente pela sua defesa em pautas mais “progressista” e precisou por muito tempo trabalhar meio que “escondido”, porque não havia espaço para os conservadores no pós-guerra.

Dizer que o conservadorismo morreu é uma piada de muito mal gosto, seja com seus teóricos como o próprio Roger Scruton ou Edmund Burke.  Resultado disso você pode notar com eleições de Donald Trump (Estados Unidos), Jair Bolsonaro (Brasil) e até na casa do nosso autor com Boris Johnson (Reino Unido). Scruton simplificou o pensamento conservador na atualidade, antes tínhamos Russell Kirk e Michael Oakeshott numa linha mais próxima do conservadorismo, dando condições para espremerem às ideias que voltariam a ganhar o mundo décadas depois.

Pois bem, Roger abriu caminho para os jovens da geração atual entender que o conservadorismo é além daquilo que tentam impor como “atraso”. E ainda conclui que todo mundo, seja ele adepto da direita ou esquerda são conservadores e não sabem. Disse isso ao tomar como base sua experiência em diálogo com seu pai. Por mais que seja um revolucionário fervoroso, no fundo ainda tem uma porcentagem intensa de conservadorismo dentro de cada um. Já viu um revolucionário derrubar uma só parede de sua casa? Furar um ou os quatro pneus do seu próprio carro? Nunca viu e jamais verá tal comportamento, ele quer destruir aquilo que não é “dele”.

Quando ele fala que “Nós, conservadores somos chatos. Mas também estamos certos”, é porque já fomos testados, o comportamento empírico indica isso. Não entramos com os dois pés naquilo que é considerado novo, isso não quer dizer que somos retrógrados, existe a desconfiança que não dão garantias que aquilo funcionará melhor que aquilo que foi deixado pela geração passada. Durante sua visita ao Brasil em 2019, não hesitou ao refutar a idéia do conservador e reacionário viver numa dualidade. Para ele, “um reacionário sempre reage contra algo”, enquanto um conservador, “é a favor de uma herança na qual vê algo precioso e valioso para a comunidade”. É o famoso “matou o coelho com uma cajadada só”,  esclareceu a diferença entre “reaça” e “conserva”, removendo toda aquela acusação de que “todo conservador é atrasado”.

Seu legado no debate público permanecerá entre os gigantes, seus feitos, suas ideias para guiar uma filosofia de vida mundo afora. Cerca de 50 obras publicadas, “abençoado” pela rainha com o título de  “Cavaleiro da Grande Cruz do Império Britânico” e agraciado com um dom divino.

Obrigado, Sir Roger Scruton!
Descanse em paz.

Deixe seu comentário