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“Greenzofrenicos” e a Amazônia

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O ser humano está em constante estado de evolução e melhora. Quando surgimos nesse mundo, estávamos completamente a mercê da força da natureza. O calor queimava nossa pele que não tinha protetor solar. O frio matava facilmente enquanto não foram fabricados casacos com a pele de animais. Éramos constantemente caçados por bichos tanto maiores quanto menores que nós. Insetos, o solo, a água e várias comidas nos envenenavam e nos adoeciam porque não possuíamos o conhecimento sobre tais doenças. Qualquer tsunami, terremoto, erupção ou furacão era uma sentença de morte inequívoca para qualquer povo que viesse ao seu encontro.

Hoje, nós conseguimos prever esses fenômenos. Possuímos uma variedade de remédios que são cada vez mais acessíveis. Nos afastamos dos animais que nos apresentam perigo com as cidades, e conquistamos todos os continentes e climas do mundo inteiro. Nosso relacionamento com a natureza tem se tornado cada vez mais de igual para igual.

Da mesma maneira que não podemos controlá-la, ela encontra cada vez mais dificuldade de fazer o mesmo conosco. Nunca na história da humanidade tivemos em tanta harmonia com o meio ambiente.

Mesmo assim, tivemos nessa última semana uma enorme polêmica ligada a um dos maiores tesouros nacionais: a floresta amazônica. Uma grande nuvem negra que escureceu o dia de São Paulo chamou atenção para um fenômeno pouco conhecido, porém natural, que são as queimadas que ocorrem na floresta durante a estação do inverno. O clima mais seco, que tem origem na redução da transformação da água em estado líquido para gasoso devido à temperatura mais baixa, cria a situação perfeita para o fogo começar e se alastrar.

Porém, o que tem se alastrado mais rápida e intensamente que o fogo na floresta são as fake news e narrativas que todos os lados do espectro político estão criando e vomitando sobre as queimadas.

Existem grupos que estão tentando conectar o fogo ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro do meio ambiente Ricardo Salles. Estão os culpabilizando como se eles tivessem algum projeto com o objetivo de “queimar a amazônia”. Essas pessoas precisam fechar os olhos para as queimadas que ocorreram em anos anteriores que, de acordo com a NASA (sim, a NASA), foram, em média mais intensos do que os desse ano. Também precisam ignorar o fato de estarmos em época de queimada, o que só revela mais ainda a preguiça e desonestidade dos “greenzofrenicos”.

Desonestidade tão grande que muitas celebridades, brasileiras e internacionais, estão fazendo campanhas pela preservação da Amazônia, porém usam fotos antigas, fotos que não são da Amazônia e até mesmo fotos tiradas em outros países.

Esse comportamento enviesado chegou ao seu clímax com a declaração do presidente da França Emmanuel Macron no twitter que diz: “Nossa casa está queimando. A floresta Amazônica – os pulmões do mundo que produzem 20% do nosso oxigênio – está pegando fogo. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência em dois dias.”. Essa declaração não é só cientificamente incorreta – florestas em clímax não produzem excedente de oxigênio – mas também ameaça a soberania nacional do Brasil. Quando Macron chama a floresta de “nossa” casa e implicitamente convoca uma intervenção internacional em nosso território.

Além disso, se diz contrário ao acordo da União Europeia com o Mercosul, o que cria a impressão que o mesmo pode estar sendo guiado por lobby de agricultores franceses, já que eles sabem que jamais conseguirão competir com o Brasil em qualquer aspecto agrícola. Alguns países já estão estudando sanções contra o Brasil porque “não respeitamos leis ambientais”. Cascata.

Depois do tweet, algumas figuras públicas do país, especialmente militares como o General Villas Boas e o vice-presidente General Mourão, já responderam à altura o comentário impróprio e ameaçador do presidente francês, deixando claro o que os brasileiros já sabem e já sentem: A Amazônia é nossa.

Com tudo isso dito, é cego também quem isenta o presidente de culpa nessa situação. Quando confrontado com narrativas, o mesmo raramente as refuta com fatos, e alimenta teorias do outro lado. Ao dizer que tem a sensação que as queimadas na Amazônia estão ocorrendo porque ONGs estão tentando sabotar o seu governo e criar uma imagem negativa no exterior, Bolsonaro consegue não só fazer papel de idiota na frente do país, mas como afunda a credibilidade da nação e da verdade perante a comunidade internacional.

A maneira bruta como fala sobre assuntos delicados é prejudicial para a relação do presidente com qualquer outro orgão que seja. Já disse em textos anteriores, Bolsonaro precisa aprender a respeitar a cadeira que ocupa.

Qual conclusão podemos tomar? Creio que seja simples. O meio ambiente, sua preservação e o seu uso pelos humanos são importantes demais para serem tomados pela política. Quão menor for a politização da natureza melhor para ela e para nós.

O conforto que o ser humano busca, que vem da exploração e preservação simultânea do meio ambiente, jamais será alcançado enquanto negarmos fatos científicos e enquanto acharmos que o progresso e o desenvolvimento são antagonistas do meio ambiente.

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