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Disparidade salarial, segundo Thomas Sowell

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É um assunto complexo para ser entendido, pois foram criadas diversas falácias em torno do assunto. Thomas Sowell um dos maiores economistas e com cerca de 40 obras publicadas desvendou este tema considerado delicado. Em tempos atuais, onde qualquer discordância serve de argumento para acusar o outro de fascista apenas por diferenças ideológicas, todo cuidado é pouco.

Não devemos negar que existe uma diferença salarial entre ambos os sexos, na história é notório que homens são vistos como “privilegiados”, “opressor” e etc. Mas a própria história também conta que a criação recebida de formas diferentes entre os dois sexos. Habilidades diferentes também faz parte do processo e da escolha em qual carreira seguir. Mas é pouco provável que nas condições atuais, poderemos encontrar restrições à educação das meninas. Estamos acostumados com a reprodução da mídia e parte da classe política, afirmando que a redução da descriminalização é resultado de “pressões de governos e de movimentos feministas”, é mais uma falácia contada para você que é iniciante no assunto.

O uso da força física está entre os fatores ligados às disparidades na renda entre homens e mulheres. Mais uma vez, a história é fundamental contra falácias envolvendo este tema. Durante muito tempo, maioria das pessoas e países trabalhava com agricultura e outras profissões que exigiam uso da força humana. Tudo teve inicio com a substituição da força humana pela força mecânica, reduzindo a desigualdade entre eles em ocupações onde mulheres jamais pensariam ocupar dentro da indústria, principalmente. Com o método, foram vistas um aumento na idade onde pessoas alcançavam seus ganhos máximos, experiências e habilidades ganharam maior importância tomando o lugar do uso da força. Como consequências disso, notoriamente, a diferença de salários entre homens e mulheres caíram sem mesmo precisar de governos, assembleias e movimentos feministas procurarem antagonismo.

A diferença salarial não deve ser adotada apenas como um problema do empregador, mas deve ser levado em consideração nos níveis de educação, experiências trabalhistas ou disponibilidade para trabalhar “fora de casa”. De acordo comThe Economist, no século XXI, “cerca de dois terços dos adultos analfabetos no mundo são mulheres”. Porém, nos países mais avançados industrialmente, existe uma quantidade maior de mulheres que homens com um currículo preenchido até o ensino superior. Por exemplo, nos Estados Unidos para cada 140 mulheres matriculadas existem 100 homens matriculados, algo semelhante acontece na Suécia que eleva os números de mulheres para 150 a cada 100 homens. Reforçando aquilo que foi dito no segundo parágrafo, no inicio do século XX, a proporção de mulheres em profissões e cargos de alto nível foram maior do que no meio do século atual. Em 1964, foi divulgada uma pesquisa que permitiu a seguinte conclusão: “O período das duas primeiras décadas do século XX foi o auge de mulheres acadêmicas”.

Mas houve uma queda neste padrão, entre 1921 e 1932, 17% das mulheres receberam títulos de doutorado, mas até o final de 1950 essa taxa caiu para 10%. Nas áreas econômicas, a taxa foi semelhante 10% para 2%. A participação feminina foi decadente também nas áreas de humanas, química e direito. De acordo com estudos realizados em 1961, fora encontrada uma menor participação desde 1930. Até mesmo em instituições comandadas apenas por mulheres, a tendência foi seguida e isso jamais deveria ser atribuído à discriminação do empregador. Mas pouco tempo após essa “crise”, as mulheres voltaram a ganhar notoriedade e as taxas voltaram a subir no inicio da década de 1970. A participação delas no nível superior estava em alta, assim como em 1932. O primeiro casamento também colaborou com parte do processo, pois quanto maiores os níveis, maiores eram também os níveis de educação e trabalho.

A razão mais detalhada deste fenômeno ter acontecido, pode ter sido não a ideia mais esclarecida do assunto, mas os padrões femininos de casamento e concepção de filhos. Por isso, o questionamento das tendências positivas no avanço ocupacional das mulheres não deve ser encontrado em questões discriminatórias e sim na relação de casamento e criação de filhos, como sugere a história.  Em 1950, 94% dos homens estavam na “força de trabalho”, contra 33% das mulheres. Duas décadas depois, em 1970, este percentual foi reduzido para 61% dos homens e 45% para mulheres. Ao final do século XX, eram 86% de homens e 74% das mulheres. Isso indica que mais mulheres começaram a ocupar o vácuo que era deixado por ser de predominância masculina, especialmente naqueles que necessitavam títulos universitários.

Para fazer determinar se existe ou não discriminação sexual entre os empregadores, é necessário analisar ainda as escolhas de emprego, experiências e outras características. Em estudo feito na Inglaterra foi descoberto que mulheres ganhavam 17% a menos por hora que homens, ambos em período integral. Este mesmo estudo indicou que isso não era devido ao fato de haver salários diferentes para o mesmo cargo, mas sim porque as mulheres aceitavam empregos que pagavam menos com mais frequência que os homens, principalmente quando retornava para o mercado de trabalho após ter filhos. Quando elas eram “iniciantes” no mercado de trabalho, ganhavam 91% do que os homens recebiam, como mães, a porcentagem tinha uma redução enorme, 67% da renda dos homens que eram pais. Em Michigan, outra pesquisa realizada por pessoas formadas em Direito encontrou o mesmo “padrão” da pesquisa feita na Inglaterra; No inicio de suas carreiras, os salários tinham uma diferença considerável, porém alguns anos depois, a diferença era de 60% em relação aos homens. Os dados remetiam esta “diferença a escolhas que os trabalhadores havia feito e incluía a redução da carga horária entre elas”.

A carga horária é outra justificava para “haver este tipo de disparidade”. Estudos divulgados pelo The New England Journal of Medicine afirmou que “na década de 90, jovens médicos ganhavam 41% a mais que as jovens médicas. No entanto, quando era levado em conta as diferenças de especialidades, ambiente de trabalho e outras características, nenhuma disparidade de ganhos ficava evidente. Mais um exemplo,  um advogado tende a trabalhar em torno de 70 horas semanais, enquanto uma advogada que é casada, tem filhos, reduz este tempo estimado em menos de 50 horas, logo isso terá impacto nos seus ganhos.

As falácias ganharam notoriedade e tornou-se quase que uma verdade absoluta. A veracidade dos fatos e dados parece sumir do jornalismo quando inicia o período eleitoral, porque não investigam mais dados e preferem seguir o faro ideológico.

Fonte: Livro Fatos e Falácias da Economia; Thomas Sowell; Traduzido por Rodrigo Sardenberg; Cap. 3, Fatos e Falácias Masculino e Femininos; Ed. Record

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