E-Consulters Web - Hospedagem Premium

Covid-19 na África: “Estamos vendo uma cura mais rápida”, diz médico senegalês

Moussa Seydi demostra otimismo com uso da cloroquina em seus pacientes
0

Moussa Seydi, chefe do departamento de doenças infecciosas do Hospital Fann, em Dakar, anunciou de forma animadora que 55 pessoas se recuperaram do vírus. Apesar da divisão que existe em alguns países a cerca de seu uso no tratamento contra o Corona, na África o medicamento tem unido a população.

Na entrevista ao portal Marianne, o medico aproveitou também para falar das medidas determinadas para fazer de Senegal o país com menor índice de afetados no continente africano.

Primeiro, houve fortes medidas desde o início para fechar as fronteiras, o que impediu a proliferação de casos importados de Covid-19. A proibição de grandes reuniões, como as orações de sexta-feira, também nos permitiu reduzir imediatamente o fluxo de novos casos. Então cuidamos dos casos que tivemos muito cedo. No final de Março, implementamos no tratamento para os pacientes menos graves o uso da hidroxicloroquina. No momento, existem bons resultados em relação à redução da carga viral. Finalmente, o terceiro fator é a juventude da população. De fato, não temos muitos casos graves. No entanto, temos preocupações com a multiplicação de casos comunitários“, disse ele.

Os números de fato, com uso da hidroxicloroquina, são animadores,  Senegal tem 311 casos confirmados, 211 recuperados e 3 mortos. Seydi diz se inspirar no médico francês Didier Raoult, conhecido agora como “Dr. Cloroquina”, na França. Ele ganhou o apelido, depois de divulgar que a medicação poderia ser a “peça-chave” no combate ao coronavírus, apesar do ceticismo de alguns, a cloroquina tem ajudado no tratamento contra o corona. Raonult é pH.D em doenças infecciosas. Questionado sobre o uso da hidroxicloroquina desde os primeiros casos, Seydi respondeu:

O estudo tem falhas e imperfeições, mas apesar de tudo, resultados são interessantes. Como o Dr. Raoult disse, vimos uma queda na carga viral após uma semana. O que induz a uma cura mais rápida. Na relação risco e benefício favorece os benefícios. [..] Especialmente porque eu não notei nenhum efeito colateral. Por enquanto, os resultados estão lá. Se eles forem confirmados a longo prazo, continuaremos. Caso contrário, vamos parar“, comentou ele.

Além disso, gostaria de esclarecer que não conheço Didier Raoult. Eu nunca o conheci e não sabia que ele havia morado em Dakar. Essa abordagem que tenho em relação à cloroquina não é, portanto, sentimental. É emergência médica“, completou.

Entre alguns famosos que foram vitimados pelo Covid-19 está o ex-presidente do clube francês  Olympique de Marseille, Pape Diouf, morto no final de março. Sua morte gerou comoção no país africano e levantou um dúvida sobre uso da hidroxicloroquina, mas o médico deixa claro os momentos onde utilizou o medicamento.

De um modo geral, posso dizer-lhe que notamos a eficácia da hidroxicloroquina quando administrada em pacientes que não atingiram um determinado estágio da doença. Quando você precisa de ajuda respiratória, a hidroxicloroquina não é útil porque o progresso da doença é muito grande. A hidroxicloroquina tem uma utilidade para impedir que os casos piorem“.

O debate a cerca do uso ou não do medicamento, trouxe uma polaridade entre “defensores” e a turma do “vamos esperar”. Mas em uma crise mundial, como atual, devemos esperar, ver milhares de pessoas morrem, enquanto existe uma droga que em quantidades seguras para salvar vidas ainda em seu estágio inicial? Dr. Seydi respondeu.

Observo que existe uma histeria coletiva em torno desse tratamento. O que está claro é que o estudo de Didier Raoult tem falhas e aqueles que tentam denegrir seu trabalho até agora também têm falhas. Os únicos estudos que nos permitirão ficar mais confortáveis ​​são os da OMS com um teste em 800 pacientes, ou o estudo clínico europeu Discovery. Estes serão estudos mais confiáveis e certamente melhor documentados. Isso nos permitirá questionar nossas atitudes e, assim, julgar se elas são condenáveis ​​no nível científico, não no médico“, afirmou.

Porque da minha parte, tenho um produto em minhas mãos que considero não perigoso para meus pacientes. E eu posso usá-lo para tratar os doentes em caso de emergência, então eu uso. Tudo deve ser feito para que a luta contra a epidemia seja bem-sucedida“, disse Seydi.

Sobre a posição da OMS, Organização Mundial da Saúde, bastante conservadora na indicação do uso da cloroquina no tratamento do Covid-19, Seydi demonstrou respeito a organização, mas deu a certeza que não pretende deixar de usar em seus pacientes.

A OMS diz que não deve ser usado, mas é normal, é uma organização. Ela usa ortodoxia“, disse.

Não sou contra a OMS. Mas se eu trabalhasse na organização e não tivesse pacientes em minhas mãos, mas o ônus da saúde global, não me comprometeria com um tratamento que não provou ser 100% eficaz. No entanto, acredito que casos específicos não são de responsabilidade da OMS. Da minha parte, tenho pacientes em hospitais do meu país e tenho um tratamento que posso usar, que não é prejudicial. Esses pacientes são de minha responsabilidade. Sou professor universitário e pesquisador, mas acima de tudo sou médico“, declarou ele.

O histórico de Senegal no combate a epidemias são notáveis, há alguns anos, o Institut de Pasteur de Dakar produziu uma vacina contra a febre amarela.

Dr. Moussa Seydi, professor pesquisador e titular da Cadeira de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina de Farmácia e Odontostomatologia de Dakar. Seydi (e sua equipe) foi premiado com título de “Homem do ano de 2014”. O prêmio foi entregue pelo trabalho do professor Seydi e de seus colaboradores quando o Senegal enfrentou o vírus Ebola.

Deixe seu comentário