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Bom dia, Cavalo.

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Reza a lenda que a continuidade dos homo sapiens na terra se deu por causa da sua alta capacidade de comunicação, por razão dela era possível planejar coisas, alertar perigos e formar comunidades mais coesas.

Mas capacidade não é efetividade, comunicar-se é sempre uma tarefa difícil. Imagine o trabalho que se tem para organizar milhares de fatos, lembranças, interpretações, conceitos abstratos, sentimentos e emoções, às vezes evidentes, às vezes camuflados, só para dizer: “um pingado e dois pães na chapa, por favor!”

Se o trivial exige tanto, imagine em um grupo com dezenas ou até centenas de pessoas trabalhando juntas com informações dispersas, interpretações próprias e capacidades díspares de comunicação. Mesmo com a melhor interlocução do mundo alguma coisa não vai sair direito.

Mas aí eu me pergunto: no curso de um diálogo, o trabalho de quem comunica é sempre o mais preponderante? Explico: cabe a quem fala fazer todo o trabalho de passar a informação a quem ouve?

Por exemplo: dentro de uma sala de aula o professor de física está explicando a matéria sobre ondas (isso foi aleatório), se o desejo do aluno é aprender, se ele tiver uma dúvida, está na conta dele perguntar ao professor: “poderia repetir? não entendi.” (no meu caso se ele perguntasse desde onde? eu diria: “desde o Big-Bang, por obséquio”).

O mesmo caso acontece com um policial que investiga, ou mesmo para um psicólogo, se algum deles não entendeu alguma coisa que um outro falou é uma obrigação refazer a pergunta ou pedir mais explicações. Mal entendidos podem ser fatais.

Mas por que não acontece o mesmo nas redes sociais, por exemplo? Ou seja, por que lá todo tipo de fala vira motivo para grandes discussões (em tamanho, não em importância).

Acredito que é porque lá estamos no mundo das DECLARAÇÕES, quem quer que fale ou escreva alguma coisa, seja por lá ou por outros canais, está declarando (peremptoriamente, categoricamente, para-sempremente) que o que foi dito é apenas aquilo que foi dito. Ignora-se (de propósito?) todo aquele processo descrito ali acima para se pedir um café com leite na padaria, de uma hora para outra nos tornamos algo como deuses que escrevem mandamentos em pedras.

Mas o pior do mundo declaratório é quando alguém é pego errando (interpretação imprecisa na maior parte dos casos: errando onde? como? de que maneira?), e lá vai a criatura brincar de Michael Jackson, dançando moonwalk e voltando atrás. Tentando desdizer aquilo que não disse, recortando e remendando a tal da declaração, o cabra acaba se transformando em um eterno culpado por uma coisa que ele nem sabe se falou.

Mas, convenhamos, julgar e crucificar está em nosso sangue como açúcar em diabéticos, é um trabalho muito grande perguntar: “que cargas d’água o senhor quis dizer com isso?” Não sabendo que, às vezes, trabalha-se menos tentando interpretar a sentença devolvendo o trabalho para emissor. Ele se explica e você pode se contentar dizendo: “ah, tá!” (viu, sabia…)

Mas isso não é de hoje, esse provavelmente é um comportamento usual humano, se não nossos avós nunca teriam inventado o ditado: “quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Nunca antes tinha entendido o sentido desse pensamento, mas hoje sim: vai que ele responde.

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