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A deserção de Conrad Schumman saltando o embrião do Muro de Berlin ainda como arame farpado
A deserção de Conrad Schumman saltando o embrião do Muro de Berlin ainda como arame farpado

A falácia por trás da queda do símbolo e as fugas do Soldado Schumman

Há 30 anos caía o Muro de Berlin mas um outro seguiu existindo
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Trinta anos atrás, em 09 de novembro de 1989, no Brasil era noticiado em primeira mão pelo correspondente Pedro Bial, a queda do Muro de Berlin. Para que tinha apenas seis anos de idade à época, o momento não chegou a ser tão marcante quanto o foi para toda uma geração que contemplou aquele momento e viveu sob a tensão explicita da Guerra Fria.
O muro de Berlin foi, é, e sempre será um dos maiores símbolos daquilo que a sociedade do século XX, a mais desenvolvida tecnologicamente desde o início da humanidade, foi capaz de construir para degradar o próprio conceito de humanidade. O ápice da colocação em prática de “ideais” comunistas e socialistas, baseado no separar, segregar, dividir, subverter, desinformar, parasitar, tudo em prol de poder e superioridade revestida de ressentimento e fuga de culpa, culminou sim no nazismo, no maoísmo, no bolivarianismo, no trotskismo, no sovietismo, no castrismo, no lulopetismo. E em mortes. Em milhões de vítimas, que com certeza, prefeririam poder ter tido a chance de continuar vivendo na base da pirâmide social com vida e esperança, do que ter sua liberdade contestada até o ponto de morte (e para os cristãos, foi morte de “cruz”).
O escândalo e a verdade por trás das afirmações do parágrafo anterior, exatamente há trinta anos, ganhou nuances rosés, foi ao máximo escondido no surgimento do “politicamente correto”, do intenso gramscismo sobretudo na terra onde ele mais deu certo: no Brasil. E assim, foi contado que a democracia liberal capitalista havia finalmente prevalecido com a queda do Muro, seria “o fim da história” como afirmou (será que ingenuamente?) Fukuyama. Propagou-se que não havia mais o fantasma do leste ou oeste, do capitalista ou do comuna, até porque ao longo dessas três décadas (com exceção de Cuba e Coréia do Norte), os territórios da Ex-URSS buscaram “capitalizar-se” intensamente. Se tiveram êxito pleno, sob os escombros de economias e vidas devastadas, aí já é outra história…
Agosto de 1961, vinte oito anos antes da queda do símbolo, era iniciada a construção do Muro. O soldado Conrad Schumman certamente imbuído da defesa do seu espírito de liberdade, que seria vedado do lado oriental da capital alemã, rompeu com seu destino e colocou a própria vida em risco ao fugir e saltar a linha que dividia o lado socialista do capitalista. Ao buscar salvar a saúde de sua liberdade pagou o preço de deixar pra trás também os que amava. Na histórica foto e fato de deserção, o símbolo eterno de que a decisão de deixar para trás o comunismo, traria consequências eternas para esse personagem da vida real alemã.

A deserção de Conrad Schumman saltando o embrião do Muro de Berlin ainda como arame farpado

A deserção de Conrad Schumman saltando o embrião do Muro de Berlin ainda como arame farpado

Assim como milhares de outras famílias, a de Schumman, pôde enfim reunir-se após quase três décadas sem se verem, naqueles idos dos anos 80. A surrealidade com que a condução da separação de uma cidade inteira, e de seus cidadãos, ocorreu por tanto tempo, é algo que escapa a compreensão por parte daqueles que não viveram aquilo. O fato é que, seja por conta da doutrinação e rancor, ou da impossibilidade de superar a deserção do “filho, irmão, tio, primo”, fez com que Conrad não fosse aceito, nem perdoado pelos seus. Os que ficaram privados de liberdade não foram capaz de superar o fato de que foram relegados por ele à sorte da extrema vigilância e da economia planificada que não se sustentava. O alívio da queda do Muro deparou-se então com um outro muro, invisível e mais ainda instransponível.
Schumann não soube lidar com essa realidade. Sua segunda e definitiva fuga em vida foi a opção para romper com a convivência dos amargos e dolorosos resultados que o mundo socialista foi capaz de causar em sua família e em sua alma. Suicidou-se em 1998 após anos de depressão e alcoolismo, abraçando em sua vida as mesmas consequências como se aquele arame farpado não tivesse sido saltado, 37 anos antes.
Sabe aquele muro que Schumman descobriu existir quando enfim pode retornar ao bairro onde nasceu? Pois é, ele segue existindo hoje em dia. Ele é cruel e não existe por conta daqueles que defendem e amam a liberdade e a verdade. Ele é mantido sobretudo por aqueles que ignoram que a ideologia comunista, esquerdista conseguiu travestir-se de progressismo, de faz-de-conta que quer igualdade de “direitos humanos”, quando os direitos dos já nascidos estão acima dos “direitos humanos” daqueles que ainda seguem nos ventres; na relativização dos gêneros; na distorção das identidades e histórias nacionais. Os “isentões” e os que dizem “não tenho nada a ver com isso”, como um Pedro Bial da vida, são como os mesmos que não aceitaram o salto e o abandono de Schumman com destino à liberdade, custasse o que custasse.
Que tenhamos sabedoria e paciência para lidar com a realidade do século XXI, que não é amistosa para com aqueles que tiveram suas consciências e inteligências despertas, e que pularam o muro.

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